Das boas maneiras

 

O ditado às vezes se confirma e noutras vezes não, seja como for, a primeira impressão que você deixa nos lugares por onde passa e com as pessoas que você encontra pelo caminho, sempre fará a diferença. Algumas pessoas realmente são indigestas, mal humoradas, anti-sociais, enfim, às vezes não estão muito a fim de conversa e em alguns casos é até comprensível, de repente não é um dia bom por algum motivo, é preciso respeitar o jeitão de cada um. Corremos o risco de conhecer alguém em um momento ou situação inadequada, e podemos ter uma impressão errada da pessoa, mas sempre há tempo de corrigir depois, se houver interesse. Em todos os casos acho que vale a pergunta: qual imagem e mensagem você quer transmitir?

Se você é do tipo ranzinza e quer manter essa imagem inabalável para que não percam o respeito e não misturem as coisas, prossiga assim. Se você é do tipo esnobe, que não gosta de preto, inclusive diz preto e não negro, não fala com pobre, usa a palavra baiano com sentido pejorativo, enfim, se você é assim na sua essência, prossiga assim. Se você acredita que vai morrer e apodrecer de forma diferente, se você não faz cocô como todo mundo e nunca teve uma diarréia escalafobética, se você tem certeza de que quase todo mundo fede, exceto você, prossiga assim. Se você não está preocupado em ser gentil, educado, cortês, simplesmente um pouco simpático quando conhece uma nova pessoa, se você não se preocupa em transmitir uma boa impressão porque está pouco ligando para o que dizem, se você acha que está acima do bem e do mal, prossiga assim.

Um dia a vida vai lhe cobrar, não tenha dúvidas. Não quero dar conselhos nem broncas em ninguém, eu mesmo posso ser indigesto em alguns momentos, com certeza tenho meus péssimos dias, posso ser petulante e até prepotente se a situação exigir, sou humano, cheio de falhas também, mas em sã consciência jamais terei uma cara amarrada ou um ar superior ao conhecer seja lá quem for. Não sou candidato à vereador ou deputado, mas sou adepto da simpatia em todos os momentos dessa vida, nunca me arrependi por isso. Portanto, se eu puder dar uma dica, sugiro incluir um simples sorriso nos lábios no seu pacote de boas maneiras, procure utilizá-lo com frequência e depois me conta como foi.

 

12 de junho

Queridos leitores, ando cheio de trabalho e coisas para resolver nessa vida, nem tive tempo de elaborar um texto bacana para falar sobre o dia dos namorados…rs, sorry! Mas vou reproduzir abaixo o texto já conhecido de alguém que entende e fala muito bem sobre vários assuntos, a escritora Martha Medeiros. Portanto, divirtam-se e beijem muito nesse dia e em todos os outros de suas vidas! Volto em breve.

Esta é a semana dos namorados, mas não vou falar sobre ursinhos de pelúcia nem sobre bombons. É o momento ideal pra falar de SACANAGEM. Se dei a impressão de que o assunto será ménage à trois, sexo selvagem e práticas perversas, sinto muito desiludí-lo (a). Pretendo, sim, é falar das sacanagens que fizeram com a gente.

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é racionado nem chega com hora marcada.

Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais rápido.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”, duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: ANULAÇÃO.

Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.

Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.

Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Ninguém nos disse que chinelos velhos também têm seu valor, já que não nos machucam, e que existe mais cabeças tortas do que pés.

Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que poderíamos tentar outras alternativas menos convencionais.

Sexo não é sacanagem. Sexo é uma coisa natural, simples – só é ruim quando feito sem vontade; Sacanagem é outra coisa. É nos condicionarem a um amor cheio de regras e princípios, sem ter o direito à leveza e ao prazer que nos proporcionam as coisas escolhidas por nós mesmos.