Nem ruim da cabeça, nem doente do pé!

02 de dezembro, Dia Nacional do Samba. Vou aproveitar essa data pra declarar o meu amor e o meu eterno agradecimento ao samba, essa música que me conquistou desde moleque e que me trouxe um extrato da vida cheio de créditos, alguns débitos e um saldo de muitas alegrias. 

No samba aprimorei meu dom de cantar, aprendi a conviver em harmonia com diversos tipos de pessoas, fiz alguns poucos e valiosos amigos, talvez alguns inimigos, aprendi a dar valor a pequenas oportunidades da vida. No samba eu cresci e aprendi as artes do amor,  me encantei por algumas mulheres e também encantei algumas delas, no samba eu conheci o amor da minha vida e o samba se tornou uma amante que sempre esteve no meio das minhas relações amorosas, é verdade, o samba sempre me trouxe alegrias, mas a mistura “minha mulher X o samba” sempre dá confusão. É preciso um bocado de equilíbrio, amor, paixão, sangue frio e boa vontade, das duas partes envolvidas.

No samba eu ganhei e ainda ganho alguns trocados, ganhei reconhencimento e mérito para ser convidado a cantar em muitos lugares, desde biroscas e botecos, até grandes casas de espetáculo e eventos corporativos, graças a Deus é sempre assim. Durante anos participei de uma famosa roda de samba aqui em São Paulo, num lugar histórico chamado Terra Brasil, e ali eu vivi um pedaço razoável da minha vida.  No samba juntei meus trocados, comprei um cafofo pra minha mamãe ficar confortável, paguei minha faculdade de Jornalismo cantando samba e trabalhando por aí. O samba me tirou muitas noites de sono, por vezes me deixou cansado e desiludido, me fez perder o ânimo e a fé em algumas ocasiões, mas também me levou a lugares que jamais eu teria chegado de outras formas. O samba me aproximou e me separou de diversas pessoas, através dele conquistei vitórias e também por causa dele deixei que algumas oportunidades simplesmente fossem embora.

Enfim, o samba é música, e a música às vezes escolhe a gente. Li em algum lugar que há dois tipos de músicos, aqueles que tocam ou cantam até os 25 anos, e aqueles que vão tocar e cantar para sempre, independente do sucesso, da indústria fonográfica, da atividade profissional paralela,  enfim, serão eternamente música. Como já passei da fronteira dos 25 há algum tempo, creio que eu sou do tipo músico forever, meus caminhos, minha formação, minhas crenças, meus anseios e desejos me levam para muitos lugares, me permitem muitas possibilidades, e mesmo sem ter uma idéia exata do destino de cada caminho, me divirto na viagem, pois em minha trilha sonora eu sempre estarei cantando um bom samba! 

Muito obrigado aos que sempre me prestigiam e acompanham nos sambas da vida!

Viva o samba! Axé, meu povo!

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7 comentários sobre “Nem ruim da cabeça, nem doente do pé!

  1. Amei o texto … lindo como sempre
    Tbém tenho alguns pontos em comum … o samba mtas vezes atrapalhou meus relacionamentos… rss
    É mais forte que eu … é uma necessidade de ouvir o que realmente mexe comigo, nem é por balada é pela musica mesmo … simplesmente amooo, e nem sempre as pessoas entendem ou acreditam.

    Como diz a música,”é que meu samba me ajuda na vida, minha dor vai passando esquecida … moço aumenta esse samba”

    Parabéns ao samba e ao Sambista MARAVILHOSO que vc é.

  2. Parabéns pelo texto, muito bom mesmo 🙂
    Me sinto super bem e me identifico muito quando me deparo com alguém que, como eu, tem o samba de berço e foi ninado, embalado e acolhido pelo samba, pelos nobre sambistas, enfim… Ainda que eu seja só uma apreciadora, admiro muito quem leva o samba tão a sério e faz disso sua vida.
    Feliz dia do Samba pra você!
    😀

  3. Sall, que demais!!! Foi no samba que eu conheci você! Foi no samba que me diverti muito!!! Foi no samba que passei boa parte da minha “vida noturna” rs…
    Que bom que você é do tipo músico forever… A nação agradece!!!
    Beijo Grande…

  4. O samba é isso mesmo, fazemos mtas amizades, algumaas para sempre… eu ñ canto e nunca vou cantar para o bem do ouvido de tds, mas gosto de um samba bem cantado… Terra Brasil epoca boa aos domingos aquele pagode de “malandro” todos cantando, música mais atuais e sambas antigos, na minha opinião, uma música que ficou guardo na memoria de quem ia para o Terra Brasil era vc “Sall” cantando Zé do Caroço… Já varios interpretes, mas vc era duka… Abç…

  5. Sall, meu querido amigo!
    Que bom ler seu texto mais uma vez e deixar aqui registrado, graças ao samba de conheci, amizade enfim até hoje, no samba me diverti, por muitos lugares passei para prestigiá-lo e por causa do samba, casei, to ai vivendo com um musico tanto quanto apaixonado pelo samba como você.
    Beijossssssssss e viva o samba e viva o Sall!

  6. Vc é tudo viu!! Amei texto e como vc, amo o samba também!
    É tão simples falar de coisas que amamos verdadeiramente. Discorremos facilmente sem perceber, quando vimos já tem um livro…rs

    Beijão

  7. Deixo ao sambista mais novo o meu pedido final:

    NÃO DEIXE O SAMBA MORRER!
    NÃO DEIXE O SAMABA ACABAR!

    Sall e Samba, já deu samba e continua dando.
    Beijoka

    Saudade de te ver fazendo samba do bom.

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