Silêncio

Se eu não lhe disser nada, não me manifestar de alguma forma, não emitir um sinal de fumaça, não me declarar, me expor, não lhe der ao menos uma dica, você jamais saberá o que se passa em minha mente, jamais entenderá a profundidade do lago escuro que é o meu coração, jamais poderá imaginar a grandeza ou a pequenez do meu sentimento, jamais decifrará se o que sinto é verdadeiro ou falso, se tenho saudade, raiva, desejo intenso ou apenas um leve tesão por você.

Se eu nada lhe disser, lhe dou o direito de imaginar o que bem quiser a respeito do meu silêncio. Você poderá entendê-lo como desprezo, como indiferença, como fuga, alternativa, opção, como a melhor saída, enfim, poderá interpretá-lo como bem entender, e mesmo que você consiga chegar bem perto do que pode ser a verdade sobre o silêncio, se eu nada lhe disser, sua interpretação não tem validade pra mim. Por essas e outras que entre calar e falar eu prefiro falar, mesmo que magoe, mesmo que eu pareça ridículo, mesmo que seja demais, mesmo que você não me dê ouvidos, mesmo que eu tenha que eventualmente falar entre lágrimas. O calar me faz sentir aprisionado, limitado, engasgado, incompleto, incompetente, talvez um covarde, me traz um arrependimento maior do que eu posso ter, caso chegue à conclusão de que falei demais. 

Por fim, entendo que o silêncio se faça necessário em corredores de hospital, durante os cultos religiosos, em reuniões de trabalho quando o chefe está falando, quando os mais velhos narram seus conselhos e experiências, quando o professor fala, quando um burro fala e quando devemos baixar nossas orelhas.  Existe a hora e o momento adequado para o silêncio, mas entre nós dois não cabe mais esse intervalo, é melhor falar tudo, falar agora e  não ficar pensando em calar para sempre, portanto, chega de silêncio, chega de meias palavras, na verdade está na hora de dar um grito: Eu te amo, porra!

Pronto, falei. Mas se você preferir, não diga nada, fique em silêncio…você é quem sabe.

Trilha Sonora

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16 comentários sobre “Silêncio

  1. Oi Lindo!

    É impressionante e admirável a maneira como você se expressa. Adorei o texto, simplesmente adorei. Eu também prefiro mil vezes falar do que calar, principalmente em se tratando de sentimentos como raiva, medo, desejo, insegurança e amor, porém confesso que já me calei em algumas situações das quais o melhor teria sido me declarar.
    Conheço um cara legal com quem já me envolvi e fui apaixonada, inclusive ele foi a primeira pessoa que me veio a mente depois de ler o seu texto. É uma pessoa super bacana, nunca me prometeu nada, eu nunca cobrei nos encontrávamos quando ele ligava ou eu e sempre foi muito bom, mas nunca deixamos a entender que existia um desejo de um relacionamento mais profundo e duradouro apesar de parecer que tinhamos tudo a ver um com o outro.
    Eu na verdade gostaria muito de ter declarado a minha paixão por ele e não sei porque não fiz, ele por sua vez, acredito que com a minha indiferença, também deixou pra lá – os homens por algumas vezes se sentem amedrontados diante de mulheres que talvez não estejam nem aí pra eles. Enfim, como você colocou o silêncio da margem pra pensarmos o que quisermos em relação a atitudes e pensamentos de outras pessoas, o ideal realmente é colocar a boca no trombone e ser feliz sem culpas.
    Pensando bem, depois de ler o seu texto ao invés de declarar algum sentimento que ainda possa existir por ele, farei o contrário vou perguntar tudo, tudo o que tenho vontade de saber até hoje…quem sabe né Sall…rsss

    Beijos no coração!

  2. Sensacional! O pior é que já ouvi algo parecido(“Se você não disser como quer que eu adivinhe?”) e o que tenho a dizer é que algumas pessoas são complicadinhas mesmo, se alguns pecam pelo excesso, outros pecam pela omissão. Pensando aqui… Melhor dizer que morrer engasgada!

  3. To chocada com o seu texto, pois parece que eu escrevi, vi as minhas palavras e com uma trilha sonora que é uma musica eu eu AMO !
    E por sinal to vivendo um momento super difícil que o silêncio não cabe, mas é ele quem tá ganhando =/

    Desceram lágrimas …

  4. Parabens pelo seu texto. Mas não se deve ficar em silencio em nenhuma cituação, ainda mais, num relacionamento… Abraço!!!

  5. Maravilhoso texto, paranbés, fica difícil fazer qualquer comentário…

    “Silêncio, um texto que pode ser lido errado”

    Ele pode ser bom e necessário para quem opta por ele, porém pode trazer muita agonia para quem espera as conclusões desses pensamentos ainda não revelados.

    O silêncio pode ter sido conseqüência de uma duvida, de um medo, de alguma frustração, pode ser um refúgio, um escape, uma forma de poupar o outro, de se encontrar, de buscar palavras e explicações coerentes. Tem seus benéficos, óbvio que sim, quantas vezes o melhor que poderíamos ter feito em uma determina situação é não ter dito nada?! Quantas vezes no calor do momento, na euforia, na raiva falamos o que nunca deveria ter sido dito, o que na verdade não era um sentimento verdadeiro?! Quem nunca se pegou pensando “putz pq falei aquilo”?!

    O necessário realmente é ter ‘feeling’ para saber em que momento optar por ele, onde ele cabe, afinal ele é um risco da outra pessoa não ter paciência de esperar, um risco de causar uma dor desnecessária, de desencadear uma solidão para você mesmo.

    Use sim, mas com moderação, com respeito, com sabedoria, sim use, no momento em que realmente precisar ser usado. Só não esqueça que como tantas outras coisas na vida, você pode perder ou ganhar, tenha consciência disso, tire suas conclusões, analise os fatos e tome a decisão correta para o momento.

    Boa sorte para os silenciosos de plantão e paciência/calma (até a pag. 2) para quem espera…rs
    Bjs,
    M.

  6. E eu que já falei tanto… chorei tanto…
    Parabéns, feliz o que se supera a cada dia.

    Cuidate Muchacho…

    Buenos Aires – 2010

  7. Sall, meu queridoooo!
    Qto tempo não passava aqui!
    Pensei que tivesse parado, aí resolvi relembrar e me cai um puta texto desses!
    ADOREI!!!
    Deu até aquela pontadinha, até parece que vc tirou o meu próprio silêncio. Senti como se eu tivesse escrito este texto.
    Agora também estou me aventurando…
    Bjinhosssssssssssssssssss

  8. Pior do que a voz que cala,
    é um silêncio que fala.
    Simples, rápido! E quanta força!
    Imediatamente me veio à cabeça situações
    em que o silêncio me disse verdades terríveis,
    pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
    Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
    Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.
    Silêncios que falam sobre desinteresse,
    esquecimento, recusas.
    silêncio, a ante-sala do fim.
    É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
    que a gente não quer ouvir,
    pois ao menos as palavras que são ditas
    indicam uma tentativa de entendimento.
    Cordas vocais em funcionamento
    articulam argumentos,
    expõem suas queixas, jogam limpo.
    Já o silêncio arquiteta planos
    que não são compartilhados.
    Quando nada é dito, nada fica combinado.
    É o silêncio de um, mandando más notícias
    para o desespero do outro.
    Tudo bem, é claro que há muitas situações
    em que o silêncio é bem-vindo.
    No amor, quando a relação é sólida e madura,
    o silêncio a dois não incomoda,
    pois é o silêncio da paz.
    O único silêncio que perturba,
    é aquele que fala.
    E fala alto.
    É quando ninguém bate à nossa porta,
    não há emails na caixa de entrada
    não há recados na secretária eletrônica
    e mesmo assim, você entende a mensagem.

    • Para M. (será que é de misteriooosa?….rs)

      Também adorei o que você escreveu…então, como você mesmo diz boa sorte para os silenciosos de plantão e paciência/calma para os que esperam…rs

  9. curiosidades!

    Antes que eu esqueça e fique em silêncio, descobri coisas. Por exemplo, os dois primeiros versos (Pior do que a voz que cala, é um silêncio que fala) virou frase da moda em vários blogs e sites.
    Fui mais fundo e, de repente, surge uma autora para o poema, Marta Medeiros. E quem é ela?
    Segundo a Wikipédia, é escritora e colunista do Zero Hora, de Porto Alegre, e do Globo, do Rio de Janeiro.
    O importante é saber que ela é autora do texto, mas não do poema! O texto virou poema depois que alguém modificou o primeiro período e versificou as frases que, aliás, têm força poética. Mas ela, na crônica, se refere a outra poeta que escreveu um poema de dois versos.” Paula Taitelbaum é uma poeta gaúcha que acaba de lançar seu segundo livro, Sem Vergonha, e tem um poema com apenas dois versos que diz assim: “Pior do que uma voz que cala/É um silêncio que fala”.
    Entendeu? Ah…então deixa p/ lá…acho que nem eu estou entendendo o que escrevi….rs

    Beijos p/ todas as mulheres pensadoras!!!!!!!

  10. Sall lindo,

    Depois de um tempinho sem passar por aqui, quando chego, me deparo com esse texto.
    Na semana que estou, impossível não chorar… rsss
    O bom seria se além de falar, fossemos ouvidos, ou até, pra falar a verdade, tem coisas que estão tão claras, que muitas vezes eu gostaria que as pessoas só percebessem, sem que eu precisasse falar…

    Saudade,
    Beijinhos

  11. Aprendi com o silêncio a ouvir os sons interiores da minha alma,
    a calar-me nas discussões e assim evitar tragédias e desafetos,
    a respeitar a opinião dos outros, por mais contrária que seja da minha!
    “…Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar sobre a responsabilidade do que dizemos…”
    Trecho da poesia – Deus – Fernando Pessoa

    Amei o seu texto…
    Que Deus te ilumine sempre!!!

    bjinhuuuuuuuu

  12. Oi Sall, tudo bem ?

    Confesso que faz tempo que não passava por aqui, mas passei e fiquei. Li tudo e adorei as crônicas.
    Bem, e quanto a esse eu acrescento dizendo que, calar é estratégico.
    Zélia Duncan me disse isso e depois da lição que ela me deu comecei a ver tudo diferente.
    O silêncio às vezes fala por si. 😉

    Sorrisos largos, querido

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