O tempo de tudo

Não é saudosismo, nem sessão nostalgia, mas a verdade é que tudo nessa vida tem lá o seu tempo. Algumas coisas, sentimentos, pessoas e lugares nos dão a impressão de que serão eternos, mas um dia, sabe-se lá quando, simplesmente deixam de ter importância, deixam de existir, ou apenas nos deixam e seguem seus caminhos.

Aqui em São Paulo existe uma casa de samba onde cantei muitos pagodes e fiz muitos amigos, um lugar querido que atende pelo nome de Terra Brasil. Lá no Terra o samba era uma referência e quase todos os grandes sambistas desse país passaram por lá nos últimos 15 anos, e em várias dessas ocasiões eu estive presente, às vezes como público e noutras cantando ao lado dos grandes mestres do gênero. Enfim, foi um tempo bom, bom demais, mas um dia, como tudo nessa vida, chegou ao fim. Sempre encontro gente por aí me perguntando se um dia o Terra vai voltar, e simplesmente digo que não sei, pois afinal trata-se de futuro e ele a Deus pertence, mas para todos os efeitos, quem foi, foi, quem não foi, nunca mais.

É uma triste constatação, mas “quase” tudo nessa vida parece ter um prazo de validade, e não podemos ver a data no fundo do pote ou na tampa, a gente não tem como saber até quando sentimentos, lugares e pessoas estarão ao nosso lado, só sabemos que um dia a página acaba sendo virada, e nesse dia o que mais importa é que a página não tenha ficado em branco.

Boas vibrações para todos!

Do cotovelo e outras dores

Tampa da panela, metade da laranja, o outro pé do chinelo, enfim, com alguma sorte todos nós acabamos encontrando alguém um dia, alguém com quem vamos de fato seguir e fazer planos, com quem vamos concretizar e conquistar coisas, com quem vamos discordar e discutir até chegarmos a um acordo, afinal, só mesmo assim para vivermos em harmonia a dois, certo?

Sendo assim, alguém que você abandonou, deixou passar, você não quis um envolvimento maior, fugiu do compromisso ou simplesmente deu um fora, esse alguém vai encontrar aquele outro alguém que falei lá em cima, e é quase improvável que você nunca saiba que ele(a) está de namorada nova ou que já está preste a se casar. Um dia vocês vão se cruzar por aí, seja no orkut ou no shopping e daí não tem jeito, se você gostou ao menos um pouquinho, se sonhou ao menos uma vez, e se fantasiou ao menos o mínimo, você vai sentir uma dorzinha no cotovelo, seja lá qual for o seu estado civil na ocasião. A dorzinha logo passa, depois você tem mais é que torcer para que o outro consiga de fato ser feliz, para que o tal algém que apareceu seja realmente uma pessoa bacana, mais diposta e interessada do que você foi, capaz de seguir ao lado de alguém que você simplesmente não quis ou que não te quis, enfim, a vida tem que seguir.

Aprendi que é reconfortante exercitar o dom supremo de desejar o bem ao próximo, principalmente àqueles que já estiveram mais que próximos de você. Portanto, quero mais é que vocês morram de amores!

Boas vibrações sempre!

Reflexão

QUAL FOI A ÚLTIMA COISA QUE VOCÊ APRENDEU?

Pense bem…a tabuada e a bicicleta sem rodinhas já fazem muito tempo, fica esperto(a)! Leia um livro, veja um filme, ouça uma canção, aprenda alguns acordes no violão, uma nova palavra em inglês ou japonês, uma mágica ou um novo prato na cozinha, vivencie as decepções e surpresas do amor, enfim, seja curioso(a) com a vida,  você com certeza tem muito para conquistar e o tempo é curto, portanto, aprenda sempre. Conhecimento e experiência são coisas leves e não ocupam espaço!

 Diz aí, qual foi a última que você aprendeu…e qual será a próxima?

 

Línguas

Língua na boca para articular palavras, formar frases, traduzir pensamentos, revelar e conquistar o mundo. Pra fazer declarações, cantar e encantar, dizer te odeio por um segundo, me desculpa, me perdoa, me deixa voltar ou volta pra mim. A língua de sogra, o Língua de Trapo e os Papas da Língua. E ainda que seja um mudo, língua para tocar o céu da própria boca e da boca do outro, o palato mole, pra fazer careta, tirar o pedaço de alface do dente e também para se insinuar, provocar, despertar o desejo no seu alvo.

Língua na boca para se converter em um beijo, invadir a boca alheia, passear por entre os dentes, provocar erupções orgânicas e atiçar nossas labaredas. Pra lamber a orelha, a nuca, o pescoço, percorrer todas as curvas e todos os segredos. Língua no ouvido para dizer deliciosas bobagens e baixarias, para instigar, provocar e seduzir. Língua para pronunciar teu nome, pra cantar teus versos e sentir o gosto da tua pele. Língua para registrar  o teu sabor em meu paladar e também para pronunciar junto ao teu nome um sonoro “eu te amo”.

Com tantas deliciosas formas de se brincar, ainda tem gente que só utiliza o formato língua nos dentes, a língua para falar da vida alheia. Que desperdício.