Material inflamável

Não quero falar de amor, não do amor piegas e romântico, não do amor idealizado como conto de fadas, quero falar apenas de um fogo, a sacanagem no bom uso da palavra. Sei que existem milhares de explicações, as científicas, as metafísicas, as psicológicas, as físicas, as amorosas, aquelas simplesmente sexuais e tantas outras.

Você nem se preocupa com nenhuma delas, a verdade é que você não sabe explicar, mas na história da sua vida já deve ter aparecido um certo alguém, um alguém que aqui chamaremos apenas de um corpo, porque é o corpo o que mais te faz falta, é o corpo que mais te deixa com saudade, um corpo que se identifica com o seu, um corpo que encaixa com o seu, que sabe te provocar, que te esquenta, que te recebe e te desbrava, uma boca que te beija, te lambe, te chupa e não tem pudores, que te fala coisinhas no ouvido e não mede esforços para te deixar feliz, mãos que te seguram, que te acariciam, que sabem te tocar na hora certa, no lugar certo, na velocidade certa e na intensidade adequada, olhos que ficam abertos e se miram nos seus olhos, transmitindo mensagens em silêncios e sussuros, olhos que também te desejam, te consomem, te pedem sem dizer nada, te agradecem e se entregam.

Tem também um cheiro no ar, é o cheiro dos vossos corpos juntos e misturados, o cheiro que só os corpos de vocês podem produzir, o cheiro do sexo de cada um, um pouco do perfume artificial misturado ao natural da pele, o cheiro da respiração, sim, o cheiro da respiração bem pertinho do seu olfato, o cheiro dos cabelos, o cheiro gostoso de uma boca molhada. O abraço enroscado que busca finalizar um nó cego para que nunca mais se desenrosquem, as pernas que também seguem os mesmos passos dessa dança louca na horizontal, dois corpos que se misturam, se completam, se contemplam, se aquecem, se acendem, provocam o fogo, se consomem, se lambuzam, se exploram e se fazem felizes.

Dois corpos como esses se encontram às vezes pela estrada da vida. Alguns arriscam viver juntos e fazer essa história perdurar até onde for possível –  sem considerar os outros fatores que prolongam uma união, ok? – outros corpos se tornam apenas amantes, às vezes virtuais e noutras vezes reais, e por último, alguns desses corpos vão embora e ficarão apenas guardados na memória para que você tenha para sempre ótimas recordações  embaixo de um chuveiro ou de um cobertor quentinho.

Cá entre nós, todo mundo merece essa sorte, pelo menos uma vez na vida. E você? Já teve essa sorte?

Bjs e boas vibrações para todos!

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10 comentários sobre “Material inflamável

  1. Posso estar enganada, sei que posso. Mas toda essa harmonia quando estamos com o “corpo”, não significa que há sentimento? Não significa que haja amor ali ? Um corpo só com outro corpo se encantaria com o “mirar nos olhos”? Sei lá, Sallzinho, quando os corpos se unem e dispertam todas essas sensações, tem algo a mais no ambiente, nos corpos, nos corações. É só um questionamento, tá? rs.

  2. Sall, querido….

    concordo com vc. Já ocorreu comigo, nesta intensidade, e nada tinha a ver com amor. E, sim, com toque, com sensações. Mas, dificilmente conseguimos separar com tanta nitidez com que vc coloca no texto. Muito embora, já estou virando perita….rs..

    o radar anda funcionando bem…rs.. para identificar corpos e amores.

    beijo, bom fim de semana! 🙂

  3. Alás, é possível que por aqui haja muita gente enganada, eu inclusive, mas sinceramente não acredito no sexo puramente corporal, se fosse assim, corpos de borracha resolveriam um lado, essas coisas anadam tão evoluídas…Sexo é mais que corpo, é a tricotomia humana, é tudo envolvido, corpo alma e espírito, a não ser os animais irracionais que mantêm relações sexuais puramente por instinto e fisiologia.

    Bj

  4. A hipocrisia nos faz querer dar nome aos sentimentos. Eles são simplesmente sentimentos. Não precisam ser uma coisa só: em um momento se fundem e em outro se dissipam…
    Mas saiba, sexo e amor em um mesmo embrulho, tem muito mais haver com querer do que ser. Seus titulares devem desejar e bem no fundo cada um de nós sabe quem quer para amar, mesmo que a os caminhos discordem dos nossos desejos.
    Na minha vida há alguém que me penetra, me umedece e me alucina, sem jamais haver me tocado… como descreveríamos isso r. escritor?

    Delícia de texto.

  5. Delícia de blog…

    Graças a Deus tive essa sorte sim…de ter um “corpo” desses pra mim…bom demais.
    Pena que vicia né…rs

    parabéns pelo blog!
    estarei sempre por aqui.

  6. Eu vivo essa sorte… Vivo há 2 anos!!! Vivo extamente como você descreveu e como se cada dia fosse o primeiro…
    Beijo Sall…

    Ah! Gosto dos textos do Luis Fernando Verissimo, mas prefiro mil vezes os seus…
    Espero que esteja sempre inspirado, tá?

    Mais Beijos…

  7. Posso dizer feliz e muito feliz, que ja tive “um corpo” e feliz de mim, por ter sentido tudo isso que você citou, sem necessariamente ter algo haver com o amor, e talvez com uma “admiração” passada, distante e que um dia…..virou realidade, boa curtição e amizade…

    Eeeeeeeeeita sorte!

  8. Eu tive extamente esse tipo de relação por 4 anos, foi maravilhoso, até o dia que encasquetei que queria namorar o moço, já que tudo era tão perfeito, dei com os burros n’agua, o moço não queria nada disso, agora chupo o dedo, pois eu disse que não queria somente isso. Agora sofro dizendo vários nãos, quando na verdade queria dizer sim, mas não quero ceder.
    Não sei se foi sorte ou azar, juro que não.
    beijos

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