Minha vida de cão

 

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Vou falar a verdade, ser um cachorro de madame, do tipo Vera Loyola, deve ser bem bacana, com festa de aniversário e colar de pérolas, mas ser cachorro de pobre também não é tão ruim, desde que nas duas situações haja carinho e respeito conosco.

Eu, por exemplo, me chamam Tobi e vivo numa casa grande junto com mais dois amigos na mesma situação, o Bob e o Lula. Casa grande, família de posses, mas sem nenhum afeto, ou seja, eu e minha turma ficamos escondidos lá no fundo do quintal, vivemos em duas casinhas de madeira que já estão caindo aos pedaços, quando chove então é um Deus nos acuda, mas a gente é cachorro, e cachorro se vira, né? Eu costumo me encolher todo, fico parecendo um biscoito redondo, pois o focinho se confunde com o rabo, muitas vezes a gente treme até não agüentar mais, a gente até pensa que vai morrer, mas não vemos notícias de cães que morrem de frio, gente morre, mas cachorro se vira, né?

Meu dono é um sujeito de bom coração, é o que a gente ouve quando os amigos dele estão por lá fazendo festa. Ele me recebeu como presente de grego e se prontificou a cuidar de mim, assim como do Bob e do Lula, mas a verdade é que ele nem liga muito, a gente virou um fardo pra ele, mas a culpa não é nossa. Passamos dias naquele grande quintal sem ver um só prato de comida, vivemos de regime, acho que ele se preocupa com nossa saúde. Água só quando alguém aparece para reabastecer as vasilhas, mas antes disso a gente bebe filhote de mosquito da dengue mesmo, cachorro se vira, né?

Morar numa casa como a nossa pode parecer tudo de bom, quem me ouve latir pensa que estou chorando de barriga cheia, mas a verdade é que eu preferia ser um cachorro de rua, desses que ficam perambulando por aí e sempre encontram uma boa alma para um prato de comida ou um pouco d’água, e de vez em quando ainda aparece uma cadela no cio pra brincar um pouco, mas eu sei que na rua deve ser três vezes pior. Meu dono pensa que pelo simples fato de ter nos recolhido em sua casa, já fez uma ótima ação, não precisamos de mais nada. Ora essa, viver como vivemos naquela casinha de madeira não é exatamente sinônimo de carinho e bons tratos.

Sabe quando alguém diz “fui tratado como cachorro”? Pois é, porque será que existe essa expressão? Cachorro tem que ser sempre mal tratado, tem que ficar esperando a Luiza Mel aparecer pra ganhar uma vida decente? Tô fora!

Eu, o Bob e o Lula, bom…eu não queria contar, mas a gente anda pensando em fugir, só não temos muita força para pular o muro e alcançar a rua, acho que no momento não temos força nem pra latir. A gente nem tá pedindo muito, ou seja, um pouco de comida para manter a nossa alegria de abanar o rabo sempre, um pouco de água para matar a sede e podermos latir para estranhos, um pouco de carinho pra gente sentir que essa vida vale a pena. Por enquanto vamos vivendo com o que temos, afinal, a gente é cachorro, e cachorro se vira, né?

Foto:Lili Vieira no Flickr.com

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NÃO PERMITA MAUS TRATOS A QUALQUER TIPO DE ANIMAL. É CRIME PREVISTO NA LEI! DENUNCIE!

Caso tenha interesse, leia esta matéria sobre o tema ou procure uma das entidades abaixo para denúncias e orientações.

www.protetoresvoluntarios.com.br – RS
www.quintaldesaofrancisco.org.br – SP
www.apasfa.org – SP
www.suipa.org.br – RJ
www.pea.org.br – SP
www.adocaobrasilia.com.br – DF
www.eobicho.org – SC
www.aila.org.br – SP
www.amigosdosanimais.org.br – SC

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Quase sempre assim

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Reveillon de roupa branca, pular ondas na praia, champagne frisante, fogos de artifício no céu, alguns pedidos, promessas de regime, academia e faculdade, talvez um casamento, praia suja, turistas demais, volta pra casa, trânsito infernal, trabalhar na segunda-feira, esperar o carnaval, desfilar na avenida, comprar abadá ou fugir para um sítio e assistir na tv, encher a cara, conhecer alguém diferente, pular feito louco, trânsito infernal, voltar pra casa, trabalhar na segunda-feira. Coelhinho da Páscoa, chocolate caríssimo nos hipermercados da cidade, um ovinho pra cada um, mês de maio, noivas em polvorosa, Santo Antônio no freezer, noivos enlouquecidos com seus cheques voadores, festa junina, pula fogueira iaiá, vinho quente, pipoca, crianças e adultos na quadrilha, férias na escola, na faculdade, cachorro louco, vacina contra a raiva, desfile militar, esquadrilha da fumaça, feriado nacional, presente pras crianças, dia da Padroeira, romeiros na basílica, rodovia Dutra com trânsito carregado, velas para os mortos, saudades dos que se foram, feriado com chuva, feriado e feriado. Ruas enfeitadas, 13º salário, festinha de confraternização na firma, amigo secreto, shopping lotado, papai noel na sacada, no parabrisa e na 25 de março, trabalhadores carregando Chester no trem, no ônibus e no metrô, mesa posta, farofa, bebidas, um presente aqui e outro acolá, alegria em alguns lares e noutros nem tanto, famílias reunidas, quase sempre sorrindo, bebendo, arrumando briga, lavando roupa suja, enfim, vivendo em família, poucos dias depois já estão todos prontos para outro reveillon de roupa branca, pular onda na praia, champagne frisante…e assim caminha a humanidade, ou melhor, é quase sempre assim.

Foto:Tim Flach

Vontade que dá e passa

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Fisiologicamente falando, há vontades que não temos como controlar ou fingir que não estamos sentindo, podemos até segurar um pouco, mas uma hora tem que ser liberada, é a lei da natureza, essa regra se aplica àquelas vontades básicas de fazer xixi, cocô, espirrar, vomitar e lá no final de tudo ainda soltar um pum no elevador. As demais, quando não atendidas, um dia acabam passando, mas não é nenhum pecado sentir vontades, algumas ficam escondidas e protegidas no coração, na alma e na mente pra sempre. Sendo assim, tem gente que sente vontade de beijar o marido da amiga, pegar a mulher do amigo, acordar numa outra cama, com outro alguém, ligar para alguém que não lhe sai da cabeça, desfazer erros e magoar pessoas que se gosta, mesmo sem querer magoar, jogar tudo que conquistou pra cima, só pra poder viver de outra maneira, vontade de explodir e falar um montão de verdades, mandar o chefe praquele lugar, dar porrada em gente esnobe e arrogante, mostrar a bunda na janela do carro, participar de uma orgia, experimentar coisas novas na cama, com gente nova e em lugares novos, se entupir de chocolate e calorias, fazer uma viagem louca para um lugar inusitado, entrar em boate gay sem ninguém saber, ir no clube das mulheres, beijar alguém do mesmo sexo, ligar para anúncios de jornal e convidar uma prostituta ou garoto de programa, experimentar alguma droga, chutar o computador, esganar o coitado do atendente que nunca resolve o seu problema, puxar os cabelos das mulheres galinhas e oferecidas, jogar o celular pela janela, beliscar criança chata, bater o carro de propósito na traseira de gente folgada no trânsito, vontade de beber até cair, parar de beber até cair, parar de fumar, voltar pra academia, gastar todo o dinheiro no shopping, estourar o limite do cartão, queimar todo o dinheiro e virar um eremita…, enfim, às vezes temos vontade de simplesmente apertar a tecla FODA-SE, mas não podemos esquecer das leis de ação e reação. Tem vontades que merecem e precisam ser atendidas, para algumas precisamos apenas de coragem, para todas as outras existe o contar até 10 e esperar passar.

E aí, tá com vontade de quê?

 

Anti-social: ser ou não ser?

Fui intimado pelo Sr. Muneo, um querido amigo blogueiro, para participar de um “Memê”, que nada mais é do que a discussão sobre um mesmo tema por diversas pessoas, cada um com suas opiniões. Preciso opinar e convocar mais 5 amigos blogueiros para fazerem seus posts. A pergunta tema é: “Você é anti-social?”

Putz, eu acho que sou do tipo simpaticão…rs, às vezes simpático demais, gente fina demais, beirando a ingenuidade em alguns casos, ou seja, eu sou do bem, gosto de fazer amizades, carrego um sorriso fácil no rosto e estou sempre pronto para trocar idéias com gente de todo tipo.  Como sou extrovertido e meu ambiente de trabalho favorece, estou a todo momento fazendo algum novo contato, conhecendo gente, o que não significa necessariamente uma nova amizade. Resumindo, sou bastante sociável, mas isso vai só até a página 2…rs.

Tem dias em que não quero saber de nada disso, fico parecendo um vovô bem chato, um legítimo nono italiano e rabugento…rs, não me convide nesses dias. Não gosto de visita em casa sem um certo aviso prévio, principalmente quando pretendo passar o dia de pijama, não gosto de fazer social em churrascos, festinhas e afins quando não estou disposto, não gosto de parecer um porre para os outros quando só estou a fim de ficar sozinho. A maior parte do tempo sou disposto e sociável, mas acho que todo mundo tem direito aos seus dias de anti-social…rs, aliás,  se eu realmente o fosse nem teria participado desse tal “memê”…rs, concordam?!? 

Como já fiz a minha social, quero saber a opinião dos seguintes blogueiros:

B. do Me and my secret life

K. do Incompletudes

Jade do Verde Olhar de Jade

Rodrigo do Como se fosse sábado

Sarah do Idéias Despedaçadas

Abraços sociáveis para todos!!!