Fim de novela

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A mocinha com o mocinho, ou de repente com o bandido, se assim ela preferir, os mais queridos e batalhadores se dando bem na vida, alcançando seus objetivos, fazendo filhos e casando com seus amores, alguns segredos descobertos, os malvados ficando pobres, pois a pobreza pra eles é castigo, a confraternização das domésticas e de todo o núcleo pobre, sempre com pagode, cerveja e churrasco.

Os vilões na cadeia, todos eles, os corruptos, os que desviam dinheiro público, os que se aproveitam dos menos favorecidos, os que roubam nosso celular, nosso rádio, nosso carro e muitas vezes levam nossas vidas, os que disparam suas balas perdidas, os que contam com nossos votos e depois nos viram as costas.

Os hospitais públicos funcionando, os corredores livres de macas e de gente doente sem assistência, a urbanização da favela, o transporte coletivo decente, o prato de comida na mesa de todo mundo, a molecada na escola e o jovem no ensino superior gratuito e de qualidade, o investimento na educação e no ser humano.

Os sentimentos verdadeiros sendo revelados, as vidas sendo vividas e não desperdiçadas, os filhos crescendo, os netos chegando, a idade também, o jardim de casa, a família reunida no quintal ou na sacada, os pedidos de perdão, o fim de algumas mágoas do passado, os amores perdidos se reencontrando, ou de repente se perdendo para sempre, se for o caso.

Me desculpem, hoje estou meio assim…Gilberto Braga, Glória Perez, Manoel Carlos, Aguinaldo Silva, Benedito Ruy Barbosa e tantos outros. Estou imaginando um mundo onde a gente possa realmente fazer tudo diferente, fazer melhor, sei que não é fácil, nem um pouquinho, mas cada um de nós tem um papel e todos somos protagonistas. A novela e o comercial de margarina são quase sempre utopias, mas podemos fazer nossa parte, e se fizermos direitinho um dia vamos chegar à conclusão de que vale a pena ver e viver de novo.

 FIM

 

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Mudança de planos

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…até que pudéssemos casar de verdade, viajar na lua de mel, reunir muitos amigos pra comemorar, até quando chegasse nosso primeiro filho, até que pudéssemos finalmente fazer aquela viagem pra Ilha do Mel, pra França ou pra Madagascar, até que viesse mais um filho, até que um de nós de repente resolvesse colocar silicone ou lipar alguma coisa, até que pudéssemos trocar de carro, comprar um maior pra família toda, até que pudéssemos quitar nosso primeiro apartamento pra depois comprar aquela casinha no condomínio fechado que sempre sonhamos, até que os meus pais e os seus já estivessem bem velhinhos, até que eles pudessem curtir os netos, até que a gente montasse nosso próprio negócio, até o seu segundo diploma, até um de nós escrever um livro, até os filhos crescerem, até que eles dançassem quadrilha na escolinha, ficassem adolescentes e depois fizessem suas faculdades, até que eles pudessem cuidar das próprias vidas e trouxessem namoradas e namorados para nos apresentar, até que eles começassem a se parecer com a gente quando eu te conheci, até que a gente começasse a ficar parecido com nossos pais, fazendo reuniões familiares aos finais de semana, reunindo os amigos pra jogar buraco, tomar cerveja e jogar conversa fora, até que sentíssemos saudades dos entes queridos que vão indo naturalmente embora, até que pudéssemos estar sempre confortados nos braços do outro, até que novos membros fossem chegando na família, nossos netos, outros amigos, novas gerações, até que nossos cabelos brancos se tornassem os protagonistas da história, até que pudéssemos passar horas numa rede ou num banco na varanda de casa, contando histórias, rindo e lembrando de como quase fomos capazes de estragar tudo, até que chegássemos a conclusão de que nascemos realmente um pro outro e de que havíamos feito as escolhas certas, até que fôssemos capazes de perdoar todos os nossos erros e fraquezas, até que pudéssemos entender que esse amor seria suficiente para superarmos e vencermos tudo, até que nosso desejo sexual se fosse, mas também até que restasse o amor, o humor, o diálogo, o companheirismo e o carinho, pois no final é sempre o que vale mais.

Enfim, o plano era fazer todas as bodas possíveis, ficarmos bem velhinhos e juntos pra sempre…, mas alguém mudou de idéia. Agora não faço mais planos.

Foto: Paulo Brabo (www.flickr.com.br) 

Beija eu, me beija!

 

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Um dia desses, navegando pela net, me deparei com um texto de uma talentosa blogueira dissertando sobre o beijo. Ela dizia algo sobre as incompatibilidades no ato de beijar e tentava justificar a frase “fulano beija mal”, quando na verdade é tudo uma questão de gosto e preferência. Ela nomeou alguns tipos de beijo* e eu tomei a liberdade de batizar mais alguns:

Beijo endoscopia: ele(a) enfia a língua na sua boca e parece que vai fazer chegar no esôfago, é quase uma tentativa de estupro. É comum a morte por asfixia nesses casos.
Beijo de cobra: nem coloca a língua e nem tira da sua boca, fica naquela coisa de põe e tira rapidinho, não dá nem tempo de sentir o gosto do outro. Parece criança boba que mostra a língua e depois esconde. Pára de brincar e beija logo!
Beijo oco*: é algo parecido com hot dog sem salsicha, ou seja, como pode alguém dar um beijo de língua sem língua? Se fosse na ficção chamariam de beijo técnico, mas na real é muito sem graça, as bocas se abrem e uma das línguas fica feito boba tentando achar alguma coisa, enquanto a outra se recolhe lá o fundo. Péssimo.
Beijo helicóptero*: uma língua louca que não para de girar na sua boca, como se esse fosse o ápice do beijo, geralmente gira nos dois sentidos pra não dar tempo do parceiro pensar em nada. Poderia também ser chamado de minhoca louca. Atordoante.
Beijo Listerine: outra língua louca, só que essa fica passeando desenfreada por entre as bochechas, entre os lábios e dentes e procurando alguma obturação prestes a cair. Ajuda na limpeza, pode remover algum pedacinho de alface que você não viu, enfim, vai de gosto.
Beijo anti-derrapante: nesse caso a língua do parceiro(a) é do tipo áspera, parece uma lixa ou uma língua de pano, pode apresentar a cor esbranquiçada. Você até beija, mas é bem diferente de uma língua normal. Falando sério, língua áspera ou apresentando rachaduras pode ser sinal de problemas de saúde bucal, vale a pena ficar atento e indicar um dentista. Sem brincadeiras.
Beijo Kelly Key: Baba, baby. Baba! Esse é o típico beijo molhado, geralmente mais do que molhado, ou seja, o parceiro(a) vai te lambendo como se estivesse chupando manga, vai sobrando baba pra tudo que é lado, os mais babões costumam babar pelo pescoço, pelas orelhas e por todo o rosto da vítima. Vai uma toalha aí?
Beijo Hannibal
: Se você não assistiu ao filme, vou adiantar que o Hannibal Lecter é um tipo de canibal moderno que já comeu, literalmente, várias de suas vítimas, ou seja, o cara gosta de morder. Assim como ele, tem muita gente que beija e se dedica muito mais as mordidas do que qualquer outra coisa, morde sua língua com força, morde os lábios, morde o pescoço e não pára nunca. Você gemendo de dores e a pessoa achando que está causando o maior tesão do mundo. Ai que medo!
Beijo cotonete: esse é o tal beijo na orelha, mas é beijo de língua na orelha. Fica aquela língua louca tentando alcançar o seu tímpano e chegar ao cérebro. Tem gente que odeia beijo na orelha, não suporta, passa mal, não tem o menor tesão, enfim, questão de gosto. A dica é: evite misturar Hannibal e cotonetes, pois sua orelha poder confundida com uma fogazza do Habib´s e já era.
Beijo de papagaio: esse é exatamente o contrário do beijo endoscopia, ou seja, o problema não é a língua, mas sim a falta dela. Tem gente que simplesmente não tem língua(!?), você já viu isso?!? Tem apenas um pequeno músculo na boca para produzir a fala, falam bastante, mas é uma língua bem pequena, parecida com a do papagaio, fica recolhida e nunca é capaz de imitar a famosa foto de Einstein mostrando a dita cuja.

Enfim, tem beijo pra todo gosto. O importante do beijo é que ele te provoque sensações boas, ou seja, tem que despertar tesão, e nesse assunto cada um tem sua forma de sentir. Enquanto você não suporta beijo na orelha, a outra adora um Hannibal e um cotonete. Só beijando muito para conhecer os vários modelos disponíveis no mercado e escolher aquele que mais te agrada. Se você conhece mais algum tipo de beijo, deixe seu comentário por aqui.

Beijo básico na bochecha de todos!

Foto: Marcelo AC no http://www.flickr.com.br

 

 

 

 

Dos males, o menor.

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Sentiu uma gota de suor descendo pelo lado direito do rosto, em poucos minutos já eram muitas gotas e estavam frias, quase geladas. Não lembrava mais que roupa estava usando, mas a gola da camisa era apertada, talvez estivesse de gravata, não soube precisar. Ele nunca havia estado tão perto da morte, para ele aquilo devia ser a morte, as sensações, o pânico, só podia ser a morte, ainda não estava entendendo direito. Ouvia vozes, tentava reconhecer as pessoas em volta, mas nada, os olhos estavam turvos e os pensamentos confusos, talvez já estivesse morto, mas ainda não tinha certeza. Continue lendo aqui…

 

Citações

“É melhor que o teu amor seja forte, escandaloso e carregado de energia, brilhante como um relâmpago – ainda que seja breve, mesmo que dure pouco – do que ser apenas a luz mortiça de uma vela, fraquinha, tremeluzindo entre nós dois por toda a eternidade…”
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Autor: Edson Marques

Delação premiada (da cachorra)

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Eu realmente não valho nada.
Eu vivo dando bola pra todo mundo.
Eu sei que eu sou bonita e gostosa.
Eu sei que você me olha e me quer.
Eu saio de casa sempre vestida para matar.
Eu mato os homens de tesão e as mulheres de inveja.
Eu evito ligar, mas sempre deixo no ar que estou a fim.
Eu não penso duas vezes quando eles me procuram.
Eu uso muitas roupas sem calcinha.
Eu conheço corredores escuros e salinhas escondidas nas baladas.
Eu sempre tenho uma lista de amigos coloridos atualizada.
Eu adoro boleiros, pagodeiros, roqueiros, dançarinos, dj´s, proprietários e patrões, faço todos de otário.
Eu não acho muito fácil trair, mas eu sempre consigo dar um jeito.
Eu prefiro homem com grana, mas conheço vários duros que me levam à loucura, nesse caso abro uma exceção.
Eu me contento com apenas um, mas também me contento com sete, oito ou nove, depende.
Eu não tenho medo de realizar minhas fantasias sexuais.
Eu não fico me fingindo de santinha, nunca.
Eu tenho um e-mail exclusivo para assuntos aleatórios.
Eu deixo scraps no orkut dos homens que se fingem de bonzinhos.
Eu abomino homens que não sabem pegar de jeito.
Eu adoro quando as namoradas e esposas se contorcem de raiva.
Eu sou cachorra, sou gatinha e não adianta se esquivar.
Eu deixo marcas de chupada no pescoço e em outros lugares.
Eu faço qualquer coisa por uma pulseira VIP.
Eu não tenho pudores e não nego fogo, é mais fácil eles negarem.
Eu acho que homem “fdp” tem que provar do seu veneno.
Eu já roubei namorado de amiga e já dei pro cara que ela ama.
Eu dou mesmo! Pra conhecidos, colegas e até pra amigos, só não dou pra inimigos, mas também depende.
Eu sou um pouquinho do que toda mulher gostaria de ser.
Eu sei que muitas me odeiam, mas no fundo elas se sentem vingadas quando eu estou em ação.
Eu sou o fruto da semente que muitos homens plantam por aí.
Eu sei que a gente se merece.
Pra falar a verdade, eu não presto mesmo.
Eu não presto, mas eu também te amo!