Delação premiada (do cafajeste)

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Eu realmente não valho nada.
Eu tô sempre comprometido e sempre solteiro.
Eu digo que vou ligar no outro dia e nunca retorno.
Eu passo semanas sem procurar mulheres queridas.
Eu tenho mulheres queridas no plural, pois é.
Eu divido os dias da semana para atender a todas.
Eu troco um cineminha com ela por um futebol com a rapaziada.
Eu a deixo em casa e na seqüência vou pra balada.
Eu desligo o celular ou coloco pra vibrar e nunca atendo ao lado dela.
Eu paquero todas as mulheres em todos os lugares.
Eu estou sempre pronto para um novo envolvimento.
Eu não quero envolvimento nenhum.
Eu adoro dizer: “…é tudo somente sexo e amizade”.
Eu adoro quando elas concordam.
Eu gosto de um funk carioca que diz: “eu te uso e você me usa…”.
Eu faço social pra agradar minhas mulheres.
Eu assisto filme, vou em exposição, teatro e o escambau, mas o final é sempre na minha cama.
Eu já paquerei amigas dela, e se elas me derem bola eu vou.
Eu odeio discutir a relação.
Eu já pensei em colecionar calcinhas, mas não tenho espaço em casa.
Eu acho que eu sou o bonzão, o gostosão, o tal.
Eu acho que nem sou tanto assim, mas elas apenas corroboram.
Eu não quero nem saber o que elas querem, eu quero é pegá-las.
Eu gosto é de desfilar com as melhores.
Eu sou considerado com a rapaziada, sou pegador mesmo.
Eu lavo o carro pra tirar fios de cabelo e outras coisinhas.
Eu malho e fico sarado, mas não é só pra ela, é pra todas.
Eu troco telefone na balada quando ela não está por perto.
Eu agrado sogras e sogros, mas eles nem sonham com nada disso.
Eu gasto meu dinheiro com garrafas de vodka só pra impressionar a mulherada, mesmo aquelas que nem bebem.
Eu sei que sem meu carro, meu futebol, meu dinheiro e meu sucesso eu não pegaria ninguém.
Eu sei que são todas umas interesseiras, mas só pego o que me interessa também.
Eu já casei, já separei, já chorei, já fiz chorar, já fui ao inferno e ao céu.
Eu penso que engano todo mundo, mas só engano a mim mesmo.
Eu sou o que se chama por aí de um “legítimo filho da puta”.
Eu sei que é por isso que elas me adoram.
Eu quero todas possíveis e imagináveis.
Pra falar a verdade, eu não presto mesmo.
Eu não presto, mas eu te amo, pôrra!!!.

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Ficar pra titio

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A vida sempre segue. De forma natural sempre achei que ficaria pra titio mesmo…rs, ou melhor, seria titio antes da minha irmã ser titia, e eis que a profecia se cumpre. Tô bem feliz e bobão, como de praxe. 

Vem aí uma menininha pra eu paparicar, brincar de casinha e aviãozinho, carregar no ombro, brincar de cavalinho, levar ao McDonalds (já que não tem jeito mesmo…rs), caminhar no parque, rolar pelo chão da sala, ensinar algumas palavras, ensinar a fazer caretas, brincar de fazer bolinhas de sabão, cutucar o nariz, lamber sorvete, fazer aviãozinho com a colher, passear na cestinha da bicicleta, conhecer brinquedos novos, assistir Cartoon e Rá Tim Bum, brincar de rodá-la só pra ela ficar tonta e cambaleante pela sala – vai dizer que você nunca fez isso com criança?…rs – enfim, quero dar milhares de risadas e aprender muito com ela. Será um ótimo estágio, mas treino é treino, e jogo é jogo. 

Tenho certeza de que em várias dessas ocasiões sentirei um cheirinho estranho subindo pelo ar e ela vai fazer aquela cara de quem está enfezada, no sentido literal da palavra, vai tentar me dizer em Libras* ou em sons ininteligíveis “Tio, tôtô…”, e nessa hora, com a consciência tranqüila de um tiozão, poderei pegá-la no colo com cuidado, fazer minha careta de brincadeira dizendo “credo, que nenénzinha mais linda e mais porquinha do titio”, beijar-lhe o rostinho e dizer tranquilamente: “Titio te ama muito, vai te amar sempre, mas agora vai com a mamãe”.

Boas vibrações para todos os papais e mamães dessa nova geração de bebês! 

Boas vibrações para todos que ficaram para titios e titias! Aproveitem a fase, vivam, aprendam, ensinem, treinem e divirtam-se.

*LIBRAS: Linguagem Brasileira de Sinais, utilizada pelos surdos e mudos.

Luz dos olhos

Ponho os meus olhos em você, se você está

Dona dos meus olhos é você, avião no ar

Dia pr’esses olhos sem te ver

É como o chão do mar

Liga o rádio a pilha, a TV, só pra você escutar

A nova música que eu fiz agora

Lá fora a rua vazia chora

Pois meus olhos vidram ao te ver

São dois fã, um par

Pus nos olhos vidros pra poder, melhor te enxergar

Luz dos olhos, para anoitecer

É só você se afastar

Pinta os lábios para escrever

A sua boca em mim, ah!

Que a nossa música, que eu fiz agora

Lá fora a lua irradia a glória, e eu te chamo

Eu te peço: vem!

Diga que você me quer

Porque eu te quero também 

Faço a pazes lembrando

Passo as tardes tentando, lhe telefonar

Cartazes te procurando

Aeronaves seguem pousando

Sem você desembarcar

Pra eu te dar a mão nessa hora

Levar as malas pro fusca lá fora

E eu vou guiando, eu te espero: vem!

Siga aonde vão meus pés

Que eu te sigo também

Porque eu te amo

E eu berro: vem!

Grita que você me quer

Porque eu te quero também 

(Nando Reis na voz de Cássia Eller)

A noite

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A lua, os gatos pardos, a rua, o carro, o ônibus, o táxi e o metrô. O aniversário, a balada, a pulseira VIP, os amigos, a comemoração, a bebida, o cigarro, a fumaça, os cabelos, as drogas, os inimigos. A música, a eletrônica, a ao vivo, o funk, o pagode, o sertanejo, a black music, o heavy metal, o rock´n roll, os músicos, o garçom, a garçonete, o banheiro, o torpedo, o batom, o espelho, as bebidas, as brigas, o segurança, o sangue, a polícia. O cartão de crédito, o de débito, o dinheiro vivo, o bolso vazio, a cortesia. Os homens e as mulheres, os homens e os homens, as mulheres e as mulheres, os travestis, as prostitutas, os michês, o solteiro, o casado, o casal, os casais, o adultério, os moleques virgens, os mano, as mina, o carro do pai, a cerveja no posto, o hot dog. O asfalto, a velocidade, o poste, a esquina, o semáforo, a imprudência, os culpados, as vítimas, a fatalidade. A balada, os olhares, os celulares, a caixa de som, o volume, o ouvido, o ruído, a simpatia, a paquera, os encontros, os beijos, as promessas, o convite, o amanhã talvez. O ainda hoje, o banco de trás, o drive-in, o motel, a rua de baixo, o som baixinho, a loucura, o descontrole, a camisinha, a falta dela, o sexo, o antes, o durante e o depois. O barulho, as incertezas, o dinheiro, o trabalho, a necessidade, o lazer, a opção, o vício, a escravidão, o destino. O último trago, o último gole, o último minuto da hora cinco, o caminho de casa, o sono, o cansaço, as seqüelas, o mundo ao redor, o silêncio, a esperança, a noite, a cama vazia, os gatos pardos, o travesseiro, o fim da noite, a solidão.

Vida temperamental

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Na última semana meu computador resolveu que não abriria alguns sites, sim, ele simplesmente tem vontade própria, algumas tarefas ele só executa quando dá na telha. Fiquei puto, tentando abrir blogs de amigos queridos e nada, fucei durante dias em quase tudo que era possível até que desisti, cansei, joguei a toalha. Não vai funcionar? Então beleza, fica aí, seu bobão!

Eis que na manhã seguinte resolvo ligar o pc e começar minha navegação de praxe, e só de teimoso resolvi tentar mais uma vez para ver se ele havia mudado de idéia. Para minha surpresa ele mudou, acessei os blogs e coloquei a leitura em dia. Enfim, não devia ser um problema tão grave, talvez meu computador seja volúvel, temperamental.

E assim às vezes é a vida. Já quebrei a cabeça e me irritei com tantas coisas que não davam certo, cansei de algumas tentativas, que quase nunca eu conseguia enxergar o outro lado das situações, ou seja, tem acontecimentos que devem ter uma razão especial na vida de cada um, por isso nem sempre é possível realizar todos os nossos desejos, nem todos dependem apenas do nosso trabalho, do nosso talento, nosso dinheiro e nossa boa vontade. Sei lá, destinos à parte, parece que a vida vai impondo seu ritmo e algumas coisas realmente devem estar traçadas.

Parece que quando a gente se conforma com algumas batalhas perdidas, quando se desiste de alguns sonhos, projetos, pessoas e amores, eles voltam à superfície e se oferecem gratuitamente. Nessas viradas da vida, algumas coisas valem à pena de serem aproveitadas, outras nem tanto. Se você for contemplado, faça suas escolhas e boa sorte!

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Ps.: se você já leu até aqui, deixe seu comentário, antes que eu fique temperamental e desista do blog por falta de leitores…rs.

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Boas vibrações!

Let´s go!

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Se conselho fosse bom…, enfim, você já conhece esse papo, mas aqui vai um deles. Um dia qualquer dessa vida, arrume um jeito de quebrar sua rotina de trabalho e o seu cotidiano, conquiste uma folga na firma e não fique esperando o próximo feriado, não importa o dia da semana, pode ser até numa segunda-feira às 07h00, o importante é que você faça as malas e caia na estrada.

Escolha um destino e uma boa companhia. Nem sempre cabe a turma toda, portanto, dê preferência àqueles que compartilham dos mesmos gostos que você, alguém que você tem certeza de que será parceiro(a), independente dos perrengues que uma viagem pode proporcionar, entre pessoas que se gostam fica muito melhor.

Aprecie a estrada, dirija com tranqüilidade, afinal você não está atrasado pra nada, pare no meio do caminho para tirar algumas fotos ou apenas pra fazer xixi no acostamento, mas pare e respire fundo, feche os olhos e dê valor a esses pequenos instantes. Misture-se com a população local do destino que você escolher, não faça cara de turista, apesar da máquina fotográfica. Converse com estranhos, experimente um prato típico, pise na areia, suba no morro, desça na cachoeira, não jogue lixo na rua, tome um chá ou uma dose de pinga, aproxime-se da realidade das outras pessoas, evite ser apenas um coadjuvante pela cidade.

Quando você perceber, um ou dois dias passaram voando e você sabe que vai ter que voltar pra rotina, porém com o motor limpinho, pronto pra mais uma temporada de vida real. A fuga de toda essa loucura da vida moderna numa segunda, terça ou o dia que você preferir, não tem preço, sem plagiar propaganda de cartão, mas é verdade. Você vai gastar uns trocados com certeza, afinal é pra isso que se trabalha, mas o retorno é incomparável.

Passar por essa vida somente trabalhando e acumulando bens não tem a menor graça, um dia nos encontramos velhos, sem energia e sem saúde pra curtir as coisas simples que a vida oferece. É claro que é fundamental ter grana, afinal vivemos num mundo capitalista e dinheiro é sinônimo de quase tudo que almejamos, mas veja bem, criatividade, boa companhia, iniciativa e preguiça zero podem te trazer excelentes surpresas. Seja com o tanque cheio de gasolina ou com a mochila nas costas, tire a bunda desse sofá nos seus dias de folga e boa viagem!