Um dia desses resolvi procurar através do orkut uma velha amiga de infância, amiga mesmo, afinal éramos todos crianças na época, a turminha tinha em média 10 anos de idade. É alguém que não vejo há muitos anos, mas cuja família sempre foi muito querida na minha casa, portanto, resolvi procurar apenas para dizer um “oi”, mandar uma notícia, enfim, o básico.
Achar pessoas no orkut nem sempre é uma tarefa fácil, algumas não colocam fotos, outras tem um nome muito comum e aparecem milhares de homônimos, às vezes a própria foto te deixa na dúvida e por aí vai. Depois de algum tempo de pesquisa consegui encontrar a pessoa, que não tinha fotos nem nada, na verdade, tem apenas o perfil básico e meia dúzia de amigos.
Só encontrei essa amiga porque vi na página dela um recadinho discreto dizendo “feliz natal”, deixado por um rapaz que reconheci de cara. Um sujeito que também tinha 10 anos, como todos nós na época, e era apaixonado pela tal garota. A turma toda brincava e incentivava, diziam que um dia eles iam se casar, etc, e esse namorico durou por boa parte da nossa adolescência. Apesar da pouca idade, aquilo ali já era amor, ou pelo menos uma semente plantada para sempre.
Não resisti e dei uma olhada no perfil do rapaz, que não é meu amigo virtual ou real hoje em dia, vi que ele é casado, tem lá os seus três filhos e segue a vida. Fuçando um pouco mais (que coisa feia ficar fuçando no orkut alheio…rs), consegui achar uma foto da moça, também casada e com dois filhos.
Resumindo, a vida dos dois seguiu seu rumo natural, cresceram, casaram-se e constituiram suas famílias, mas não juntos, como a turminha torcia, cada um pro seu lado. Nem sei se eles se falam com frequência, se as famílias são amigas, se os filhos já brincaram juntos. Só sei que naquele recadinho sutil de “feliz natal”- típico de quem quer apenas dizer “ainda penso em você”- sem mais beijos ou desejos de boa sorte, tive a nítida impressão, apenas impressão, de que lá no fundo do coração do rapaz ainda resta um pouco daquele amor do passado. Um tipo de amor que se aloja no peito e fica por lá, guardado, em conserva, pessoal e intransferível. Um tipo de amor que laça o coração da gente pra sempre. Fugindo um pouco da rima, esse é o verdadeiro amor que bate e fica.
Boas vibrações para todos!
Escrito por Sall 

Escrito por Sall
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